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Teoria da Vinculação 5 min

Estilo de vinculação evitante: reconhecer e ultrapassar

Onedayte Redação

Especialista Onedayte

Estilo de vinculação evitante: reconhecer e ultrapassar

O teu parceiro quer falar sobre a vossa relação e sentes as paredes a subir. Não literalmente, mas algo dentro de ti desliga-se. Precisas de espaço, independência, um momento de não ter de fazer nada. A intimidade não parece calor mas pressão. E o mais estranho é: sabes que amas esta pessoa. Mas assim que fica próximo, queres fugir.

Este é o estilo de vinculação evitante. Aproximadamente 25 por cento dos adultos reconhecem-se nisto, embora a maioria não o expresse assim. Preferem dizer: 'Sou simplesmente independente.' Ou: 'Não preciso realmente de contacto constante.' Essas frases não são necessariamente falsas, mas mascaram um padrão mais profundo.

Infografia: Vinculação evitante - Onedayte

Como se desenvolve a vinculação evitante

A vinculação evitante desenvolve-se quando os teus cuidadores eram emocionalmente distantes ou dismissivos. Não necessariamente frios ou maldosos, mas estruturalmente não responsivos às tuas necessidades emocionais. Em criança, aprendeste que chorar não levava ao conforto, que mostrar vulnerabilidade não era respondido, que era melhor resolver as coisas sozinho. Adaptaste-te suprimindo as tuas necessidades emocionais. A independência tornou-se a tua estratégia de sobrevivência.

Mikulincer e Shaver (2007) descrevem em Attachment in Adulthood como esta estratégia cria um sistema de vinculação desativador. Em vez de ativares o teu sistema de vinculação quando te sentes inseguro (como fazem as pessoas com vinculação ansiosa), tu desligas-o. Suprimes a necessidade de proximidade. Convences-te de que não precisas de ninguém. E funciona, até certo ponto. Porque por baixo dessa camada de independência está a mesma necessidade humana de conexão que todos têm. Simplesmente aprendeste a escondê-la.

"Avoidant individuals learn to suppress or deny attachment needs and to rely on themselves as their own source of comfort and security."

— Mikulincer & Shaver, Attachment in Adulthood, 2007

Características nas relações e nos encontros

A característica mais reconhecível é o desconforto com a profundidade emocional. Conversas sobre sentimentos parecem desconfortáveis. Quando o teu parceiro pergunta o que sentes, a primeira resposta é frequentemente 'bem' ou 'não sei'. Não porque não sintas nada, mas porque o acesso a esses sentimentos foi fechado através de anos de supressão.

Nas apps de encontros, isto manifesta-se num padrão específico. Fazes swipe amplamente mas investes pouco. As conversas permanecem superficiais. Assim que as coisas começam a ficar sérias (a outra pessoa sugere ligar, encontrar-se, tornar-se exclusivo), ativas o que os psicólogos chamam estratégias de desativação. Idealizas um ex ('Eles na verdade eram muito mais adequados'). Procuras defeitos no match atual ('Ela usa demasiados pontos de exclamação'). Retiras-te sem explicação.

Nas relações existentes, o padrão é semelhante. A tendência de abordar problemas racionalmente em vez de emocionalmente. Uma necessidade de muito espaço pessoal que o teu parceiro experiencia como distância. Dificuldade em nomear o que precisas, porque aprendeste que não deverias precisar de nada. E um sentimento recorrente de que serias mais feliz sozinho — que surge precisamente no momento em que a relação se aprofunda.

O que podes fazer

Reconhece as tuas estratégias de desativação pelo que são: mecanismos de defesa da tua infância que já não são necessários nas relações adultas. Cada vez que idealizas um ex no momento em que a tua relação atual se aprofunda, é o teu sistema de vinculação a tentar puxar o travão de emergência. Não é intuição que deves seguir. É um padrão que podes ver para além dele.

Pratica nomear emoções, mesmo quando parece desconfortável. Começa pequeno. 'Noto que me sinto desconfortável quando falamos sobre isto.' Isso já é vulnerabilidade. Não precisa de ser logo um monólogo emocional. Cada vez que nomeias um sentimento em vez de o empurrar para longe, crias um novo caminho no teu cérebro.

Escolhe um parceiro que tenha paciência mas que também estabeleça limites. Um parceiro que te dê espaço sem te deixar ir. Que compreenda que o teu comportamento retraído não é rejeição, mas um reflexo protetor. E que ao mesmo tempo diga honestamente: 'Preciso de mais do que isto.' Essa combinação de paciência e honestidade é o que a investigação identifica como mais conducente ao crescimento em pessoas com vinculação evitante.

Fontes: Mikulincer & Shaver (2007), Bartholomew & Horowitz (1991)

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